Excerpt for Sean Queise - Uma biografia by , available in its entirety at Smashwords

SEAN QUEISE – UMA BIOGRAFIA

A história que deu origem a série

Marcia Ribeiro Malucelli

Copyright ©Marcia Ribeiro Malucelli, 2017.

Essa é uma obra de ficção. Os personagens e acontecimentos descritos são produtos da imaginação da autora. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

Este livro segue as regras da Nova Ortografia da Língua Portuguesa.

TITULO ORIGINAL:

Sean Queise – Uma biografia

A história que deu origem a série

REVISÃO:

Marcia de Cassia

DESIGN DE CAPA:

Marcia de Cassia

FOTOGRAFIA DE CAPA:

Google Images

EDIÇÃO DIGITAL - 2017

Todos os direitos autorais desta edição reservados à autora Marcia Ribeiro Malucelli.

São Paulo – S.P. – Brasil.

À Sean Queise, meu alter ego.

“O encontro de duas personalidades assemelha-se ao contato de duas substâncias químicas: se alguma reação ocorre, ambos sofrem uma transformação”.

Carl Jung.

Dizem que devemos começar nossa história a partir da peripécia, é quando a grande virada acontece. Segundo Aristóteles, não deve ser casual, e sim fruto de alguma desmedida do herói que deve surgir da própria história, uma mudança de sorte, sabe lá.

As tragédias decorrem de certa forma até que a ação do personagem faça com que a felicidade passe à desgraça, provocando assim a catarse. Já que para o mesmo Aristóteles, enquanto a tragédia figura o ser humano, o Homem no seu melhor, idealizado, e a comédia, figura no seu pior, caricaturado; a sátira apresenta ou figura o Homem tal como é.

E sim, a filosofia me salvou todos os anos da minha vida. Assim como Boécio, procurei nela a minha consolação. Consolação talvez para minha sina, para a vida que trilhei até aqui, para o destino, a senhora do destino que designou que eu nascesse especial.

Meu nome é Sean Queise. Nasci numa família abastada, crescendo à sombra de um pai poderoso, rico, e tão inteligente quanto eu. Talvez até mais, porque sempre conseguiu o que queria; minha mãe, eu, e o mundo da tecnologia, todos ao seu dispor.

Os anos passaram confusos para mim, uma criança de infância sofrida, carregada de vidas que não me pertenciam, que eu via, ouvia. Vidas que vinha a conhecer depois, vidas que jamais conheceria. Vidas minhas, vividas nas entranhas de uma recém-descoberta Rede Internet, onde eu dedicava às muitas horas minhas.

Porque ninguém explicava nada, do porquê de as coisas acontecerem, de gavetas se abrirem sob meu comando, panelas e líquidos, coisas que sumiam e reapareciam, amigos que eu fazia desaparecer quando me cansava deles. E claro, os fazia reaparecer quando minha mãe aparecia e surtava com meu pai Fernando, por eu ser o que eu era.

Mesmo eu não sabendo que era alguma coisa.

Porque nunca me permitiram saber nada, mesmo eu sabendo, como perguntas feitas ao vento e o vento as respondendo. Confesso que havia uma época que aquilo me divertia, ‘ouvir’ o pensamentos dos outros, talvez ditos normais, porque eu me sentia anormal perante cenas, pessoas que conversavam comigo em sonhos, planetas que eu visitava na vigília; sonhos, eles diziam.

Pesadelos; era o que eu acreditava serem.

Talvez por isso fosse crescendo cada vez mais introspectivo, proibido de ter amigos e ir a festas, de socializar com outros, porque eu tinha que estudar, porque eu tinha que trabalhar, porque o mundo era perigoso para uma criança especial.

Deviam ter dito ‘esquisito’, porque eu era esquisito, porque ainda sou.

O que, confesso, não passou despercebido às mentes brilhantes que entravam e saíam da minha casa, que visitavam meu pai exigindo coisas que o destruíam por dentro, o entristecendo, eu podia sentir nada podia fazer.

Então a peripécia.

Porque quando meu pai Fernando Queise decidiu extrair zeólitas do vulcão Croscat, na Garrotxa, uma região da Catalunha, comunidade autônoma da Espanha, e abriu vagas para secretárias first, Kelly Garcia era uma delas. Meu pai trouxe Kelly para a Computer Co. do Brasil, em São Paulo, para ser secretária da Miriam, secretária first dele.

Eu tinha treze anos quando Kelly chegou; a bela de cabelos negros, plena em seus vinte e sete anos, e que mudou tudo em mim. E tudo poderia ser traduzido por tudo, tudo mesmo. Porque ela mudou minha concepção de enxergar a vida, de desejar coisas, de tomar decisões, de tirar as fotos de Pamella Anderson da parede, de substituir um quarto bagunçado por livros de filosofia, e até de tentar entender o que eu era.

Porque desde os nove anos eu hackeava computadores, o que deixava minha mãe Nelma Queise nervosa com meu pai Fernando, que parecia achar aquilo o máximo; eu era sua cópia. Mas isso deve ter deixado minha mãe mais nervosa do que aparentava, porque ela ia atrás do meu outro pai, Oscar Roldman, que achava, como ela, que Fernando furava o acordo de cavalheiros entre eles, e que não sabia me criar.

E não soube criar porque quando minha mãe Nelma, separada de meu pai que só tinha vida para o trabalho, a abandonado com muito tempo livre, recém-casada, deu chance a Oscar, de reconquistá-la. Quando minha mãe se arrependeu do que fizera, depois dos muitos pedidos de perdão de meu pai Fernando, voltou para ele, logo engravidando, ficando no ar a possibilidade de eu ser 'filho de Oscar'.

Porém, Oscar Roldman nunca havia me abandonado, nunca deixara uma única vez de participar de minhas conquistas, minhas vitórias, um único aniversário, com minha mãe Nelma viajando a Londres, em segredo, me carregando com ela.

Porque o segredo existia, aquele e muito mais, porque Mr. Trevellis, Fernando, Oscar e Nelma eram amigos de juventude, amigos que tinham conhecimentos mais profundos sobre mim, um hacker que não só invadia os mainframes que construía como vasculhava arquivos confidenciais a ele e ao mundo.

Por isso, para piorar, quando fiz 15 anos ganhei de presente de meu pai, Fernando, um emprego. O trabalho não era tão moderado nem tão árduo, porque na época eu ainda estudava. Acho que eu não tinha noção da extensão da responsabilidade de meu pai, dono de uma fábrica de computadores, a Computer Co., e que mantinha em segredo a construção de grandes bancos de dados para o que eu conheceria mais tarde como Poliu – Polícia Intercontinental Unida; uma corporação de inteligência chefiada pelo astuto Mr. Trevellis, pelo perigoso Mr. Trevellis, e por agentes infiltrados pelo mundo, talvez todos eles.

Sei que meu pai Fernando queria que eu tivesse uma ocupação, diria, mais nobre, sob o comando de Oscar e a Polícia Mundial. Ele viu um potencial em mim e preferiu que eu usasse a minha facilidade com as programações computacionais a ser preso por ser um hacker, colocando-me na equipe de seus cientistas para a construção de um satélite de observação, Spartacus, meu maior feito e minha maior carta no bolso.

Porque Oscar sabia que eu dava ao satélite uma importância maior que todos viram, até ser tarde demais, já que entre o reconhecimento do mundo acadêmico e o segredo, Spartacus não foi revelado ao público em geral e a Polícia Mundial, detentora e proprietária, que o guardou longe da mídia, o lançou ao espaço como um satélite espião.

Se eu desconfiei de algo? Sim. Mas para piorar o clima gerado desde essa época, ao completar 17 anos, meu pai que adorava me dar presentes, me deu a Computer Co. inteira, após a decisão de aposentadoria precoce. Isso despertou o ciúme de Oscar, a desconfiança do mercado corporativo e pior, sim, algo muito pior, a ira de Mr. Trevellis da Poliu, que imaginou um adolescente, um moleque hacker acessando todo tipo de falcatrua, algumas que me escapavam à compreensão; o envolvimento da mesma na vinda de alienígenas ao planeta Terra.

E sim, fomos visitados no passado, no presente, e provavelmente o seremos no futuro.

Confusão pouca é bobagem? Então vamos lá!

Desde quando assumi, desejava elevar minha secretária first Kelly Garcia, a bela espanhola com então 32 anos, à sócia. Então, aproveitando os grandes empresários da área de informática reunidos, comuniquei a grande virada dentro da Computer Co.; Kelly Garcia era a nova vice-presidente da companhia, que também vinha se firmando como a maior desenvolvedora de Banco de Dados do mercado.

Durante um tempo, temi estar expondo Kelly ao perigo, ao risco que corria pelo fato de que as decisões dentro da companhia seriam compartilhadas entre ela e eu, e que atingisse Kelly e sua vida monótona. Ambos sabíamos, porém, que apenas eu lidaria com os complexos Bancos de Dados que a Computer Co. alugava às grandes corporações, como a Poliu – Polícia Intercontinental Unida, uma secreta corporação de inteligência sob o comando do astuto Mr. Trevellis, vindo de aristocratas famílias inglesas, e atual chefe de operações.

Mr. Trevellis, o homem de segredos, com um passado obscuro, que obrigava meu pai Fernando a obedecê-lo, sempre, não me defendendo da constante perseguição de Mr. Trevellis, insistindo que o comando do satélite nunca estivera totalmente nas mãos de Oscar Roldman, porque nasci com muito mais que os tais dons para os computadores, nasci especial, com um dom especial que talvez tivesse passado despercebido por todos se eu não me tivesse revelado me rebelado e me destruído, se minha noiva, Sandy Monroe não tivesse se suicidado na noite de nosso noivado, acusada de roubar segredos de Spartacus.

Vida minha também ceifada, interrompida na juventude, na dor que se propagou pela culpa, pelo sangue que ainda escorria das minhas mãos, pela desconfiança de que eu próprio escolhera aquilo, sofrer nas mãos da Poliu.

Porque sem a chance de dizer-lhe que a amava, que acreditava nela, que nada mais importava a não ser a nossa felicidade, Sandy ainda sofria, perdida entre a luz e a escuridão. E o arrependimento talvez fosse a força maior, por saber que todos meus dons paranormais de pré-cognição não previram, que não me adiantaram à dor da perda, a ceifação da vida da jovem e bela Sandy.

Eu era novo para noivar, dezessete anos, admito, mas contra tudo e todos me apeguei a Sandy, sem perceber que Kelly Garcia, a bela e encantadora balzaquiana de ascendência espanhola, e longos cabelos negros, era a única que me amava de verdade.

A inteligente Kelly, a perspicaz Kelly, a eficiente Kelly, que tinha total segurança para manter seu trabalho como um dos mais bens pagos do mercado, e tinha a atenção e a constante aprovação de Fernando Queise na maior fabricante de computadores do mundo, a Computer Co..

Também no meu coração, afetado, fechado ao amor.

Por isso o porquê do dom especial ter sido escancarado. Sentimentos, déjà vus, vozes e sombras que me perseguiam desde criança, que se intensificaram no ódio gerado. Porque cego pela dor e com raiva da Poliu que acusou Sandy, usei seu próprio veneno contra ela, a corporação de inteligência chamada Poliu. Busquei em Mona Foad, uma paranormal com todos os dons da parapsicologia, usada como espiã psíquica pela Poliu, ajuda para trabalhar o que enfim percebi ter, um dom paranormal, com fenômenos chamados ‘psi’.

Mas eu havia herdado da família Roldman muitos mais dons do qual Mona não previra, que meus pais, os dois, não tinham conhecimento, como visualização remota, projeção da mente, clarividência, telepatia, telecinese, psicocinese, e por fim aport, o poder de mover objetos de seus lugares, os fazendo sumir, até aprender me teletransportar por completo, correndo riscos de não compreender por onde vagava.

Porque eu sempre tive uma ligação maior com o Cosmo, com seus segredos e mistérios. E sabia que a Poliu estivera por detrás da minha preparação, por trás de meus dons nada adormecidos, de como ela própria, a corporação de inteligência chamada Poliu treinava seus espiões psíquicos, com dons iguais aos meus, preparados para me comunicar com o mesmo Cosmo, e quem lá habitasse.

Porque sempre gravei cheiros, cores e presenças, tudo gravado numa mente preparada para entender os mistérios do mundo, dos mundos que se separam por tênues linhas temporais, que permitem universos paralelos coexistirem.

Como o filósofo Santo Agostinho, eu gravava e guardava minhas lembranças em meu palácio de memórias, lembranças dessa vida, de outras de outros, de outros que já fomos encontrando-nos naquilo que Henry Corbin chamava de ‘imaginação espiritual’, cultivando uma poderosa espécie de percepção que me permitia viajar entre realidades, por um Mundus Imaginallis.

Contudo, vão perceber no desenrolar da minha vida que meus poderes se desenvolveram de uma maneira que perdi o controle sobre ele, sobre minha estabilidade emocional e sobre minha vingança.

Como de fato, a única que me move até hoje.

“Viver sem filosofar é o que se chama ter os olhos fechados sem nunca os haver tentado abrir”.

René Descartes.



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