Excerpt for NZOMBIE - O Morto Vivo by , available in its entirety at Smashwords



Edward Warrior





NZOMBIE

O MORTO VIVO





Um pesquisador no meio do nada, o frio cortante, o poço profundo e um vírus com 15 milhões de anos de idade encerrado nas profundezas do lago. A extinção será breve.











1ª edição




Rio de Janeiro – RJ

Edição do Autor

2016

Edição do Autor


Título original: NZOMBIE – O MORTO VIVO


ISBN 978-85-920842-1-9


Formato: E-Pub

Requisitos do sistema: Adobe Digital Editions

Modo de acesso: World Wide Web

ISBN 978-85-920842-1-9 (recurso eletrônico)


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Uma parte de nossa existência se baseia naquilo que supomos conhecer, outra no totalmente desconhecido. Imaginar que possuímos todas as respostas é uma presunção digna do ser humano, mas também sua maior derrota no processo evolutivo.” Edward Warrior.

PREFÁCIO

O continente gelado e mais ao Sul da Linha do Equador guardava um segredo aprisionado em seu interior por milhões de anos. Vindo do passado, trazia uma mensagem mortal para todos os que estivessem no caminho e Nick Frost era um deles. A perfuração discorria conforme o planejado e ainda que todos fossem extremamente competentes nem tudo estava sob controle, esse foi o grande erro de Sven Urland, abrir a Caixa de Pandora.

Nádia Romanov tinha aspirações grandiosas e sonhava com um príncipe encantado que passava por ela todos os dias e não a percebia, era como se nem existisse, pelo menos assim pensava, porém, o destino os colocaria em uma corrida alucinante para que pudessem sobreviver. Um dia como qualquer outro, uma brisa leve que cortava o frio gélido e a monótona paisagem branca e irregular. Uma neblina mortal viajava sem pressa para mudar a história da raça humana e o conceito de vida que conheciam até àquele momento.

Apenas um homem e seu segredo mais íntimo poderiam ser a resposta que salvaria a humanidade do Apocalipse tão anunciado nos Livros Sagrados. Durante os tempos idos sempre houve a ameaça de que os mortos herdariam a Terra, muito mais do que um mito uma realidade assustadora que teimava em extinguir a raça humana de tal forma como se ela nunca tivesse existido, mas perseverar estava entre as maiores qualidades desta espécie e não se deixariam derrotar sem luta, ainda que inglória.

Oliver McQueen sempre fora um homem de princípios até ao momento em que lutar pela sobrevivência e seu modo de vida se tornaram a razão maior de viver e para isso não haveriam escrúpulos muito menos condescendência. Um império construído com reputação duvidosa na busca por curas para doenças e que só as tribos mais remotas do planeta sabiam seus segredos. Nascia a Corporação NOMAD e seus interesses globais de dominação, mas isso não era privilégio apenas deles, o mundo sempre fora assim. O mais forte subjugando o mais fraco, mas esse jogo estava prestes a mudar de mãos.

Vladimir Timochenco era um homem da guerra, havia presenciado os horrores do que os homens são capazes de fazer uns contra os outros, quando precisam atingir um objetivo específico. Não havia perdão para os crimes que tinha cometido em nome de ideologias que no futuro se mostrariam equivocadas e mortas, em todo o caso, seus préstimos a serviço da Corporação eram inestimáveis e sem questionamentos...

Ao fim, a humanidade havia sucumbido ao poder de um inimigo invisível que tinha como objetivo começar uma nova era de evolução para a raça humana, mas para que isso fosse possível, seria necessário que fosse extinta antes de qualquer outra coisa e não havia método mais eficiente do que pai contra filho e irmãos contra irmãos. Era um caminho sem volta adiado por uma eternidade. Ficaram para trás e condenadas ao esquecimento todas as grandes conquistas da raça que acreditou ter sido feita à imagem e semelhança do Criador, sem saberem se ele na verdade governava o Céu ou o Inferno.

Capítulo I

Antártida

O frio extremo e cortante do continente Antártico não desanimava o biólogo Nick Frost e sua equipe de exploração na tentativa de conseguirem amostras nas profundezas do Lago Vostok. A perfuração da grossa camada de gelo milenar de aproximadamente quatro quilômetros de espessura levara dois meses para ser concluída, entre danos causados às brocas de aço, que faziam a maior parte do serviço e devido ao frio intenso que as enrijeciam, partiam-se como vidro, ao mesmo tempo em que a pressão interna das paredes do glaciar as imobilizavam nas profundezas. Era um trabalho difícil e extenuante que envolvia ainda a remoção dos resíduos da perfuração e o transporte para a superfície.

Não era o único interessado no conteúdo que as cápsulas de amostragem revelariam depois de talvez quinze milhões de anos sob a camada de gelo, sucessivamente compactada ao longo desse tempo. O Lago Vostok localiza-se nas coordenadas 78°27′00″S 106°52′12″E, possuí uma área de duzentos e cinquenta quilômetros de comprimento e quarenta quilômetros de largura em forma de elipse. Compreende uma área de quatorze mil quilômetros quadrados com uma profundidade média de quinhentos metros e totalmente protegido da atmosfera terrestre, pela extensa camada de gelo que o cobre na totalidade. Uma verdadeira cápsula do tempo.

Depois de todo esse trabalho de perfuração, ainda seria necessário que após a coleta do material sedimentar e biológico, houvesse o cuidado de preservar as amostras num ambiente totalmente isolado, esterilizado e que não fosse contaminante de forma alguma...

Nick Frost trabalhava para a Corporação de Estudos Biológicos NOMAD, uma entidade privada que tinha como principal missão estudar ambientes de biodiversidades esquecidos pelo tempo, tanto pela dificuldade de acesso como pelo total desconhecimento dos lugares existentes. Aos trinta anos, acabados de completar, porte atlético sem exageros, 1,96m de altura, herança de seus ancestrais Vikings, gostava de se considerar um Viking dos novos tempos, por esse motivo os cabelos louros e compridos em geral pendiam-lhe pelos ombros, neste momento específico deixava-os presos no formato de um longo “rabo de cavalo”, para ter maior mobilidade naquele ambiente inóspito. Era bem possível que em algum momento lembrasse um dos muitos deuses da mitologia nórdica à vista de estrangeiros.

Descendia de uma família de pesquisadores, seu avô tinha sido um “Homem do Gelo” cuja principal ocupação se baseava em comandar expedições ao centro do Polo Norte e das incontáveis vezes que lá foi, em uma delas ficou nalgum lugar tão remoto que até hoje não se sabe o verdadeiro paradeiro. Por esse mesmo motivo, o desaparecimento do avô, ele tinha escolhido ser um aventureiro, com um pouco de sorte quem sabe não encontraria o que restou de seu antepassado. Pensava nessa possibilidade...

Não era incomum que após os degelos pessoas desaparecidas nesses ambientes reaparecessem em condições de preservação consideráveis ao ponto de poderem serem reconhecidas e enterradas com dignidade e seu avô poderia ser uma dessas pessoas “sortudas” com certeza.

Lembrava-se da história de Ötzi, a múmia de um possível habitante europeu da Idade do Cobre com cerca de cinco mil e trezentos anos de idade e que tinha sido encontrada em razoável estado de preservação numa geleira perto do monte Similaun, na fronteira da Áustria com a Itália. Conta a história da paleontologia, que ao morrer, trajava vestimentas rudimentares para protegê-lo do frio, com três camadas de roupas feitas de pele de veado e de cabra, além de uma capa forrada de fibra da casca da Tília, árvore típica no hemisfério norte. Não deixava de ser surpreendente que essas coisas pudessem acontecer e ao mesmo tempo serem encontradas na maioria das vezes de forma casual, como era este caso específico e verídico.

Nick devia a curiosidade dos fatos ao seu pai, um escritor que apesar de não obter muito sucesso literário, praticamente escrevia para si mesmo, seus livros abordavam questões fundamentais da sociedade humana, os mistérios do mundo por desvendar e a incerteza se somos a Primeira Raça humana sobre a superfície da Terra, ou apenas mais um ciclo que se repete interminavelmente, um círculo que nasce, cresce, prospera e se extingue por completo, ou quase...

O amor que tinha pela profissão, a Biologia, veio através da mãe que também era bióloga, na área de genética molecular e ainda exercia a profissão, mas não mais como pesquisadora, entregou-se ao serviço burocrático depois que percebeu que todo o seu trabalho visava apenas lucros astronômicos para seus empregadores e não necessariamente a cura para as doenças que por séculos ainda assolavam a humanidade.

Sentou-se sobre uma caixa de alumino próxima de onde estava observando toda a movimentação em torno da perfuração gelada, resignado, ao perceber que mais uma broca se partia nas profundezas daquele gelo infernal.

- Lá vamos nós outra vez... – Disse para o encarregado da perfuração que empilhava as brocas de aço ao lado da perfuratriz. – Ainda é muito cedo para desistirmos. – forçou um sorriso que não tinha, mas que precisava animar sua equipe que cada vez mais lhe parecia exausta. Tão rápido como tinha esquecido o Homem de Gelo por instantes, assim voltou com ele aos pensamentos.

Considerava incrível que durante todo o tempo em que Ötzi permaneceu congelado a história humana tivesse passado por ele sem que o incomodasse. Durante esse período o Egito tornou-se uma potência que ecoava pelo tempo até aos dias de hoje enaltecendo seus grandes feitos e suas personalidades, escravizou o povo hebreu e perdeu a batalha para Moisés, assim diziam as sagradas escrituras e ainda que não fosse de todo verdade, ele sabia que as histórias contadas ou escritas sempre tem alguma fundamentação, portanto, não importava se o Mar Vermelho tinha sido aberto para a passagem do povo escravo ou não, o caso era que a história perdurava por milhares de anos.

A Grécia tinha alcançado dias de glória nas mãos de Alexandre da Macedônia, Aquiles, Helena e outras personalidades que ainda passavam por Aristóteles, Sócrates e Platão, dentre tantos que lhe vinham á mente como luzes que apagavam e acendiam velozmente, mas da mesma forma que os outros sucumbiram ao tempo e a outras civilizações, a Grécia não foi diferente de nenhum deles. Roma ascendeu séculos depois e formou um império de mil anos, entretanto, Ötzi ainda permanecia adormecido no sono congelado nos Alpes italianos sem que fosse percebido, enquanto a maioria de nós apenas virava pó na medida em que nascia, vivia e morria sem deixar vestígios palpáveis, excetuando-se os que forçosamente por conta do destino ou artimanhas perpetuavam seus nomes nos livros de história.

Continuava atento á perfuração lenta e monótona, mas sabia também que era a melhor tecnologia que dispunham e a pressa era inimiga não só da perfeição como também da ciência, sabia disso... Olhou para o céu e pôde ver a Lua resplandecente como um queijo suíço olhando para ele, ali estava uma das coisas que passariam pelo tempo e pela humanidade sem que fosse perturbada. Por causa da Lua tinha criado quando ainda muito jovem um calendário do tempo, relembrou da história; pediu ao pai que lhe arranjasse a mais larga fatia de tronco de árvore que ele pudesse encontrar e não se decepcionou, em menos de duas semanas foi-lhe entregue uma rodela de madeira circular com 1,20m de diâmetro e dez centímetros de espessura.

Para assombro de todos, ninguém fazia ideia para o que aquilo serviria a menos que fosse para fazer algum tipo de veículo antigo, mesmo assim seria necessário um par para tal e não era este o caso. Possivelmente um tampo de mesa para estudos, mas apenas ele, o futuro biólogo, tinha planos diferentes para o estranho e peculiar objeto, aquele seria seu Calendário do Tempo. Depois de tanto tempo ainda estava afixado na parede do seu quarto, na casa dos pais em Drammen, próximo de Oslo na Noruega.

Com todo o cuidado e talento que possuía na época, estava com quinze anos apenas, muniu-se de uma lixa fina e maleável e muito calmamente começou a polir um dos lados, aquele que lhe pareceu mais adequada para o que pretendia fazer e não teve pressa em deixar a superfície tão lisa, que era impossível perceber qualquer tipo de ondulação que fosse. Deixou que a mão percorresse continuamente e inúmeras vezes por aquela superfície macia, sentia satisfação em que a poeira fina deslizasse por entre os dedos sem qualquer tipo de resistência.

Providenciou um lugar onde pudesse colocar a enorme rodela de madeira que agora estava totalmente polida e lisa, limpou-a com um pano úmido e logo em seguida encerou-a com uma mistura de cera animal de óleo de baleia e de forma a que a madeira ficasse mais escura e os anéis concêntricos mais visíveis, conseguira o efeito pretendido sem dúvida.

- Pai, quantos anos acha que esta árvore tinha antes de ser derrubada? – queria saber se pelo menos estaria perto da estimativa de tempo pretendida.

- Pelo tamanho dessa rodela de madeira que você tanto se deu ao trabalho de polir, creio que no mínimo uns duzentos anos. – Sorria ao ver o entusiasmo do filho com aquele grande pedaço de madeira no meio da sala de estar, sobre a mesa de centro. Ocupava quase todo o espaço livre. – Mas ainda não sei o que pretende com tudo isso. – Estava curioso e sabia que ele não lhe revelaria, pelo menos não ainda, era de seu feitio só mostrar o resultado depois de pronto, aquele experimento não seria diferente.

- Bem, não é o que eu esperava, mas terá que servir. – Disse franzindo um pouco as sobrancelhas.

Esperou quase dois dias para que o óleo infiltrasse completamente pela madeira e fosse absorvido deixando apenas o tom escuro que muito lhe agradava. Foi até ao escritório onde o pai costumava escrever, poderia ter economizado alguns minutos se tivesse perguntado logo o que procurava, mas deu-se ao trabalho de buscar por ele mesmo, aquilo era mais do que apenas encontrar o que pretendia, era uma exploração em local desconhecido e agreste, seu pai não tolerava que as coisas ficassem fora do lugar, aprendeu dessa forma a sempre deixar tudo conforme havia encontrado. Finalmente ali estava, a caixa com as etiquetas adesivas.

Sentou-se próximo da mãe, Martha Frost, que desfrutava de um livro científico com alguma relevância que para ele de momento não lhe interessava, era sobre botânica, mais precisamente do naturalista Charles Darwin e qualquer coisa sobre um navio chamado Beagle que viajara ao redor do mundo, só mais tarde reconheceria a real importância de tal literatura.

– Mãe. Posso interromper por um momento? – não esperou que ela desse o consentimento e entregou-lhe um maço de etiquetas com uma caneta preta de ponta grossa.

- Ao que parece não tenho muita opção não é? – sorriu para o filho, era o único que tivera a coragem para trazer ao mundo e mesmo assim com alguma dificuldade, mas ao que parecia, as complicações tinham sido superadas. Pensava que com tantas doenças sobre a Terra era quase um milagre que a raça humana ainda estivesse viva. – O que acontece agora? – estava tão curiosa como o pai do jovem Nick Frost que do outro lado da sala observava tudo em silêncio, enquanto fazia algumas anotações.

- Preciso que escreva em algumas dessas etiquetas coisas de relevância que tenham acontecido nos últimos, vamos dizer... Cinco mil anos. Pode ser assim. – os olhos reluziram para o que viria a seguir na ansiedade de descobrir quais seriam as revelações históricas que sua mãe lhe faria. – Gosto da sua letra... – complementou. Muito mais do que isso, ele queria preservar alguma coisa de sua mãe por um tempo indefinido, se possível pela eternidade.

Olhava-a de soslaio gravando em sua memória todos os traços do rosto perfeito, pálido e liso, contava agora com quarenta e cinco anos, algumas rugas que outrora não existiam começavam a se fazer presentes nos cantos dos olhos e sobre a testa, conforme ela escrevia alguma coisa nos pequenos rótulos que ele lhe dera, suas sobrancelhas arqueavam insinuando uma luminosidade radiante pelo rosto. Amava a mãe de uma forma muito diferente de como amava o pai, Eldar Frost, neste caso específico não existia um desequilíbrio de sentimentos, mas o amor por ela era sereno e doce, calmo e muito terno. Não amava menos o pai, mas a forma desafiadora como ambos viviam entre si tornava-se uma mistura de disputa de espaço e aproximação com cautela, tal qual dois machos de uma espécie delimitando seus espaços.

Aquele era seu porto seguro, a calmaria e a tempestade juntas num único lugar e ele era o mediador desses dois elementos incontroláveis e conflitantes.

- De quantas precisa? – sorriu mais uma vez percebendo que tirava o doce da boca de uma criança.

- Talvez trinta? – não estava certo da quantidade, não tinha contado os anéis no interior da rodela de madeira, mas encontraria um jeito de encaixar o máximo de eventos que pudesse.

- Vejamos então... Cinco mil anos atrás, não é isso? – ganhou tempo para pensar em acontecimentos históricos da raça humana. Não percebeu que seu marido chegara perto na esperança de ser convidado a participar da brincadeira, por algum motivo, sentiu-se atraído por aquele experimento.

- Posso participar? – disse em voz baixa, temendo ser excluído.

- Claro meu amor. Sente-se aqui e nos ajude a contar a história da raça humana através dos tempos. – Martha sempre saía em sua defesa. Gargalharam por mais uma vez terem encontrado algo em comum para fazerem.

- O nascimento de Cristo. Pode ser este o primeiro? – foi o pai quem aceitou a brincadeira.

- Pode sim. E não precisa perguntar, apenas vamos escrever nas etiquetas. – Nick Frost faria o melhor e mais bonito relógio do tempo que jamais veriam em suas vidas.

- O cerco de Tróia. Podemos aproveitar e colocar as datas estimadas, não acha uma boa ideia, Nick? – a mãe também começa a divertir-se com toda aquela movimentação.

- Sim, sim. A história de Helena e Páris. Isso será ainda melhor do que eu tinha planejado. – pegava as primeiras etiquetas e as perfilava sobre a madeira sem ainda colá-las.

- Alexandre o Grande e a conquista do mundo conhecido. 356 a.C. – disse o pai visivelmente empolgado.

- Segunda Guerra Mundial. 1945. – Nick lembrava-se melhor de coisas mais recentes e que eram obrigatórias nas salas de aulas.

- As Cruzadas. 1.100 d.C.. – novamente o pai fazia uma sugestão, a mãe estava mais concentrada em fazer uma boa letra na escrita das etiquetas.

- Os Grandes Descobrimentos, Século XIV. – Nick sorria satisfatoriamente, sempre quisera ser um navegador, daqueles bem aventureiros. Talvez um pirata...

- Incêndio de Roma, Nero. 68 d.C. – Martha escreveu antes que algum deles pudesse falar algo e olhou-os severamente.

– Minha vez. – sorriu logo em seguida para satisfação de todos. - A Peste Negra no Século XIV. – era bióloga e precisava deixar alguma coisa do seu conhecimento naquele trabalho do filho.

- A chegada do homem na Lua. 1969. – Eldar que ainda meditava sobre os assuntos interviu sem ao menos escutar o que os demais diziam.

Em poucos minutos de muito divertimento e com a ajuda dos pais, Nick tinha não apenas trinta eventos históricos de relevância, mas pelo menos cinquenta ao todo, espalhados pela rodela de madeira.

- O que fará em seguida, querido? – a mãe passava as mãos pelos cabelos sedosos da cor de ouro do filho notando o interesse que ele tinha em agrupar de forma eficiente toda a cronologia dos eventos escritos nas etiquetas.

- Agora já posso fazer o meu calendário do tempo. Vou colar as etiquetas a partir do centro, que seria a idade mais antiga da árvore e fazer chegar até á borda utilizando os anéis como marcadores... – ainda arrumava a classificação conforme as datas históricas. Seus pais se entreolharam por descobrirem que o filho tivera uma ideia magnífica para poder contar o tempo, a bem da verdade aquilo era para que ele mesmo pudesse se situar no espaço e no tempo em que vivia. – Depois passo uma camada de verniz ou resina por cima se conseguir comprar e penduro na parede do meu quarto. – estava satisfeito, e ficou ainda mais quando seus pais começaram a ajudá-lo com a colagem. Todos queriam participar daquele momento único.

Foi despertado dos pensamentos longínquos da infância ao ouvir os gritos dos homens que ainda perfuravam a grossa camada de gelo que os levaria até ao adormecido Lago Vostok nas profundezas daquela geleira inóspita, não tinha ideia de quanto tempo ficara divagando sobre seu passado. O encarregado da perfuratriz, Victor Orloff, correu na direção de onde ele estava e com um largo sorriso de que obtiveram o mais absoluto sucesso deu-lhe as boas novas.

- Conseguimos Dr. Frost. – abraçou-o com força, quase fazendo com que o gigante nórdico saísse do chão. – A broca ficou livre sob a camada de gelo, isso significa que atingimos a água no lago em estado liquido. – ainda estava eufórico por ter terminado um trabalho exaustivo e que levara meses para chegarem até àquele momento.

- Se isso for verdade não podemos retirar a broca ainda. É necessário posicionarmos uma câmara de contenção em volta do buraco para que não haja contaminação de espécie alguma. – olhou em direção ao local da perfuração percebendo que as últimas brocas estavam sendo retiradas, correu o mais que pôde, mas em vão. Todo o trabalho que esperava e o resultado poderiam estar comprometidos com aquele erro fatal.

- Mas que Inferno, Sven. – Sven Urland era outro membro de sua equipe e assim como ele norueguês de nascença e de terem idades aproximadas, além de seu braço direito no comando da expedição, estava mais do que ciente dos procedimentos de contenção e segurança a serem tomados em qualquer tipo de escavação. – Onde está a câmara de contenção? – estava irritado com a falha tão acadêmica de sua equipe. Isso se mostrou imperdoável no momento, deixaria de ser relevante com absoluta certeza, depois dos eventos que se seguiriam.

- Desculpe Nick, ficámos tão empolgados depois de tanto tempo que só pensámos em pegar as amostras, nada mais... – Sven possuía uma vasta barba mesclada de dourado e negro e aparentava ser pouco mais baixo do que ele, entendia perfeitamente do assunto em questão, só não fazia sentido ter se esquecido do principal motivo para o qual fora contratado, que era a segurança das amostras.

A última broca oca caiu sobre o gelo do acampamento de prospecção e perfuração com um barulho metálico estridente, a amostra que precisavam estava no seu interior, supostamente em ótimo estado, mas seria a única, uma lama escura muito espessa e grossa estava em toda a volta do objeto e não tardou para que tivessem a absoluta certeza de que o buraco nas profundezas voltaria a se fechar através da compressão que o gelo exercia nas laterais. Nick tinha esperança que a água do lago não tivesse sido contaminada por nada da superfície com exceção da ponta da broca e para a qual estava devidamente preparada e esterilizada. Por outro lado, não queria também que vapores ou gases de qualquer natureza e contidos por milhões de anos naquelas profundezas ficassem soltos na atmosfera, os efeitos disso podiam ser catastróficos e devastadores.

- Isolem a amostra e certifiquem-se de que não seja contaminada por nenhum agente externo. – as palavras foram bastante severas e ríspidas, era seu nome como cientista e o patrocínio de seus empregadores que estavam em jogo, de mais ninguém. A amostra deveria ser transportada o mais rápido possível para a estação Vostok de forma a que se desse início aos procedimentos de estudos. Foram necessárias algumas horas até que tudo estivesse pronto.

Anton Pavlov o paleontólogo, admirava o interior da grande caixa de vidro de 1,5m de largura por 2,0m de comprimento, com vidros de 2 cm de espessura e 90 cm de altura recém-chegada do campo de perfuração. No interior estava a única amostra retirada das profundezas no Lago Vostok, para infelicidade de todos, outras amostras ou mesmo o envio de uma sonda autônoma como haviam planejado para o interior do lago glaciar não seria mais possível, pelo menos até que se decidisse fazer uma nova investida de prospecção.

Isso requeria outra perfuração e mais demanda de tempo e dinheiro, além de que não havia mais certeza do lago estar totalmente lacrado e incólume de agentes externos. Esperava a presença de Nick Frost para darem inicio á abertura da cápsula do coletor de mostras no interior da caixa de vidro. Ao contrário das outras cápsulas mais comuns, que simplesmente colhia o material para depois ser analisado, este novo equipamento era especializado em recolher amostras em locais de difícil acesso que não podiam sofrer contaminações de ambientes externos.

Era essencial que quando a cápsula fosse aberta estivesse livre de contaminações de qualquer natureza para que pudesse haver uma compreensão total do mundo milenar e das condições em que o planeta se encontrava na época em que aquela amostra foi produzida e já esquecida pelo tempo. Todo o ambiente no interior daquela caixa lhes garantiria isso. Era fato científico que as camadas mais profundas de gelo aprisionavam as condições atmosféricas na forma de bolhas de ar de milhares de anos atrás quando do seu congelamento, um processo natural e muito simples, a neve precipitava sobre o solo, ou um rio que escova seu liquido precioso e em algum momento devido ás baixas temperaturas solidificava-se.

Depois que isso acontecia, as sucessivas camadas de neve que caiam sobre o local compactavam durante milhares de anos aquele solo até que formasse uma placa compacta de gelo de dimensões e dureza espetaculares e esse era o caso em que aquela amostra tinha sido colhida, com a diferença que sob a extensa camada de gelo havia uma lago em estado liquido e possivelmente possuía vida bacteriológica dentro dele. Já tinham se passado quase vinte e quatro horas desde a coleta da amostra e os preparativos para examiná-la.

- Está pronto para o que vamos descobrir em seguida? – Nick que acabara de chegar interrompeu os pensamentos do colega de trabalho.

- Sim. Apenas aguardando que você como sendo o legitimo orientador da pesquisa dê o passo inicial. – Anton aproximou-se mais da grande caixa de contenção biológica, notou que Sven que sempre acompanhava o biólogo, fazia uma verificação de rotina em todo o aparato de contenção.

- Certifique-se que não existam fugas, Sven, de outra forma perderemos a amostra ou contaminaremos o ambiente externo assim que eu abrir a caixa. – Nick ainda dava as ordens de segurança, desta vez com maior severidade.

- Está tudo pronto Nick, o teste de vácuo não mostrou nenhum tipo de fuga ou ruptura, pode abrir a amostra quando quiser. – estava iniciado o procedimento de abertura da amostra colhida nas profundezas daquele mundo gelado, sob a orientação de Nick Frost.

O cilindro metálico e reluzente de aço inoxidável com oitenta centímetros de comprimento e quinze centímetros de largura possuía uma tampa de rosca de do mesmo diâmetro em uma das extremidades, na outra apenas um buraco que estava fechado por contrapressão de impacto quando do recolhimento da sedimentação do fundo do lago. Seria necessário abrir a tampa rosqueada para que todo o conteúdo fosse despejado sobre uma espécie de bacia de vidro côncava um pouco maior do que o tubo metálico. As duas aberturas em uma das laterais de vidro permitiam que os braços fossem inseridos dentro da câmara protegidos por uma espécie de luvas de borracha fixadas na borda. Com o cuidado e a experiência necessária de já ter feito esse procedimento dezenas de vezes, Nick enfiou os braços nas luvas de borracha presas á caixa de contenção e com um único movimento de torção, desatarraxou a tampa.

Não precisou fazer muito esforço para que o conteúdo no interior do cilindro escoasse para a bacia, a gravidade encarregava-se desse problema e com certa facilidade. Curiosamente não havia lama em seu interior; um líquido viscoso de cor verde acentuada muito parecida com as algas marinhas preencheu por completo o fundo da bacia de coleta do material para estudo. Não havia água na coleta o que era muito estranho para aquela profundidade e finalidade da pesquisa, a suposição era de que fosse um lago de água doce, talvez o tempo e a sedimentação orgânica em decomposição tenham criada aquela massa indefinida que ele e seu colega de trabalho iriam desvendar logo em seguida.

- O que acha Anton? Material orgânico em decomposição e misturado com a água? – Nick estava curioso para saber a opinião do colega.

- Não creio. Se fosse esse o caso, penso que teríamos achado petróleo e não essa composição verde e indefinida. – a estimativa era de que o Lago Vostok pudesse estar selado há pelo menos doze quem sabe quinze milhões de anos, seria tempo suficiente para haver outros elementos químicos que evidenciassem essa probabilidade.

- É impressão minha ou a coisa verde e gosmenta está se mexendo? – Sven debruçou-se um pouco mais sobre a câmara de vidro para ver melhor. Os dois cientistas que lideravam o experimento fizeram o mesmo.

- Não, não está enganado. Alguma coisa se move dentro desse liquido espesso e uniforme, que não é água... – Anton vislumbrou uma linha de preocupação na testa de Nick Frost.

O biólogo pegou uma espátula acrílica que ficava no interior da câmara e volveu vagasomaente um pouco do liquido viscoso verde e espesso, a espátula não voltou inteira, havia derretido a parte que tocara aquela substância estranha retirada das profundezas do lago pré-histórico.

- Isso não está certo. Não deveria haver nenhum tipo de elemento sulfuroso nestas condições e ainda mais apresentando essa coesão. – Nick percebia que o liquido mantinha-se uniforme e regular, era como se fosse uma única massa. A água também se comportava assim, como outros elementos, mas aquele, de forma muito especifica, aproximava-se mais das propriedades do mercúrio. – Anton, faça uma análise com o espectrômetro e veja qual o resultado que encontramos para essa substância. Se alguma coisa estiver fora do padrão me avise. – retirou-se para procurar Nádia Romanov, ainda que tivesse o sobrenome da família real russa, não tinha nenhum parentesco. Levou algum tempo para encontrá-la, não estava certo do horário, mas era mais tarde do que supunha.

- Nádia. – encontrou-a entrando no dormitório para se recolher, por instantes imaginou que não estivesse totalmente vestida. Ela virou-se ainda com a blusa que acabara de retirar sobre o peito presa entre os braços. A pele alva contrastava com os cabelos negros por sobre os ombros nus.

- Nick. Que susto. – corou subitamente fazendo com que as maçãs do rosto ficassem levemente avermelhadas, pensou logo em seguida que ele bem que podia ter chegado alguns segundos depois quando ela não tivesse nenhuma opção de cobrir o corpo, isso teria sido muito interessante, pensava, mas não era hábito que ele fosse até ao alojamento onde costumavam dormir àquela hora.

- Desculpe... Não foi intenção... – Ainda não tinha conseguido desviar totalmente os olhos da parte superior e desnuda da bela mulher á sua frente. Vinte e cinco anos, morena com cabelos longos e lisos, olhos verdes bem claros que contrastavam muito bem com a cor do batom vermelho que usava, pernas longas, mas roliças e bem torneadas, não era baixa, talvez 1,70m e seios volumosos, mas não exagerados. Isso ele tinha reparado em outras ocasiões e que naquele momento estavam absolutamente aprisionados contra o peito pela blusa e os braços cruzados de Nádia Romanov.

- O que o traz aqui a esta hora e de forma tão repentina? – ainda estava curiosa e ao mesmo tempo alguns pensamentos maliciosos passavam por sua mente. Respirava com alguma dificuldade por estar na presença dele quase como desejava. Aquele lugar em que ficavam confinados por meses a fio, podia ser muito solitária ás vezes, ou quase sempre...

- Não se preocupe nos falamos amanhã. Mais uma vez desculpe pela interrupção... – Afastou-se virando de costas para que ela “baixasse a guarda” e conseguisse finalmente relaxar. Imaginava que o rubor nas faces fosse pela dificuldade dela respirar com o próprio peito pressionado pelos braços de forma tão veemente.

Nádia sentou-se na cama deixando que a blusa finalmente caísse sobre o colo cobrindo-lhe as pernas, olhou para baixo e viu os próprios seios, não tinham nada de errado e talvez fosse a parte que mais gostava em seu corpo, mas parecia não atrair Nick Frost. Deitou-se ainda vestida com o restante da roupa e cobriu o corpo até á cabeça, não sabia se queria acordar no dia seguinte. – “Você é uma mulher perfeita Nádia. Nunca deixe que digam ao contrário...” – Pensou antes de cair em sono profundo.

Contaminação

- Tem certeza que estes resultados estão corretos? – o biólogo não acreditava que o laudo apresentado pelo espectrômetro de Anton mostrando os gráficos da composição química daquela massa verde escura, apresentassem pelo menos cinco elementos que não tinham classificação, portanto, não estavam na Tabela Periódica.

- Absoluta. Fiz os testes duas vezes por segurança, não considerei necessário fazer uma terceira vez... – Pavlov podia não ser o melhor paleontólogo do mundo, mas era competente no que fazia e tinha certeza dos resultados obtidos e assim como o colega, não tinha as respostas.

- Sven. Procure Nádia Romanov na Ala Três e a traga aqui com urgência. – ainda podia sentir o perfume da pele nua dela sob a blusa, uma lembrança da visão da noite anterior. Lamentava que ela fosse tão inacessível ao convivo entre eles. – Anton, talvez fosse interessante usarmos algum tipo de cobaia para ver o comportamento aos elementos químicos do interior da caixa já que não temos como prever quais serão as reações em ambiente externo. – olhava para ele esperando algum tipo de aprovação.

- Sim, temos alguns ratos brancos que não sujeitamos a experiências biológicas, mas assim como utilizam canários para detectar mudanças atmosféricas no interior das minas de carvão por conta dos gases tóxicos, poderemos submetê-los a esse fim sem irritar os defensores dos animais... Nós também precisamos de precauções. – fez um sinal para que um dos seus auxiliares fosse pegar uma cobaia na Arca de Noé, era assim que chamavam o Departamento onde mantinham os animais vivos para testes nas condições adversas do continente Antártico. O acordo previa que não fossem utilizados em qualquer tipo de experimento que pudesse causar sofrimento ou anomalia congênita, não eram esses os objetivos das pesquisas locais.

- Bom Dia Nick Frost. – Nádia não escondia certa frustração na voz pelo ocorrido na noite anterior. Pavlov e Sven o olharam com curiosidade, mas não ousaram fazer qualquer tipo de comentário. – Então. Onde parámos depois de ontem à noite? – mais uma vez ele era o alvo de olhares indiscretos e curiosos. Tossiu um pouco para disfarçar a situação embaraçosa. Sven esboçou um sorriso tímido e discreto em favor do amigo.

- Sua área é Bioquímica e a amostra que colhemos ontem parece estar “viva” e de alguma forma estes resultados não nos dão as respostas que queremos, pensei em escutar sua opinião... – Ainda achava melhor manter distância dela, pelo menos por enquanto. Talvez estivesse no período fértil ou coisa parecida e por isso mais sensível á presença masculina, em todo o caso e na dúvida não arriscaria.

- Deixe-me ver... – Olhou com atenção todos os elementos e reviu mais uma vez as notas de Anton Pavlov, era paleontólogo, não estava diretamente relacionado com a área de biologia, mas seus comentários procediam. – Sim. Concordo com Pavlov, pode ser uma nova forma de vida. – olhou pela primeira vez a massa viscosa e verde que parecia uma gelatina, mas mais densa e que ondulava sem que houvesse qualquer tipo de agente impulsionador para esse fim, até mesmo o interior era a vácuo, conhecia o dispositivo de contenção, ela mesma já utilizara outros semelhantes, cada departamento tinha o seu, portanto, uma vez vedado e lacrado tudo o que ali existisse era proveniente da amostra colhida.

- O que fazemos agora? – ele ainda se sentia melindrado com a presença dela, em outra ocasião seria bem capaz de querer experimentá-la, mas não naquele momento.

- Só existe um jeito de fazer isso e será inserir um elemento vivo no interior da câmara para ver a reação do animal. – Era procedimento comum nesse tipo de caso e Nádia seria bem capaz de ficar á frente dessa experiência caso eles não se sentissem confortáveis com a atitude. Nesse momento o auxiliar de Pavlov entrava com uma gaiola contendo quatro ratos brancos e pequenos, que facilmente caberiam na palma da mão.

Pavlov recuou um pouco, não seria ele a condenar aquelas criaturas á morte se fosse o caso, Nick Frost gostava dos animais e preferia alimentá-los com frequência, a que servissem de alimento para uma coisa indefinida e com aparência alienígena. Sven abanou logo a cabeça negativamente olhando para Nádia que não acreditando no que via enfiou a mão pela abertura da gaiola e pegou dois dos pequenos ratos de laboratório. Nunca tivera medo deles e até simpatizava com alguns, mesmo assim evitava dar-lhes nomes, mesmo que quisesse muito, sentia que era melhor não criar uma relação com as cobaias.

- Aqui estão os meus lindos. – segurou-os com todo o cuidado que o momento exigia e os inseriu por uma abertura lateral de 10x10cm da caixa que não se comunicava com a outra maior e onde permanecia a substância viscosa e desconhecida. Esse processo só estaria concluído depois que a pequena porta externa fosse totalmente lacrada e o ambiente oxigenado. – Pronto. Agora é só apertar este botão, descontaminar nossos corajosos amiguinhos e a outra portinha interna se abrirá. – parecia que dava aulas para uma classe de crianças, seu instinto maternal sempre falava mais alto.

Depois de duas horas nada havia mudado no quadro que observavam, os ratos ainda continuavam vivos e com aparente saúde, deslocavam-se por toda a caixa inclusive atravessando a sustância verde, que passaram a chamar de Elemento Frost, o qual ele prontamente reconheceu e agradeceu o prestígio de seus colegas. Pelos comentários de Nádia, a única diferença entre este e outras substâncias similares, era que o tal Elemento não aderia aos corpos das cobaias. Era como se cruzassem por dentro de uma piscina e saíssem completamente secos do outro lado.

- Doutor Frost... - Victor Orloff tinha pedido permissão para entrar no laboratório e como este não estivesse sob quarentena ou outra coisa qualquer, não haveria nenhum tipo de objeções. – Alguns homens não voltaram do campo de perfuração ontem, não sei se devemos ir lá, mas eles não fizeram contato. – apertava o gorro de pele de urso que sempre usava quando saía da estação de pesquisa vigorosamente com as mãos, aparentava um nervosismo que Nick desconhecia e a voz era grave e lenta. Reconheceu que o assunto requeria seriedade.

- Prepare as viaturas de neve, são quase duas horas para chegar ao local, tenho certeza que está tudo certo, pode ser alguma falha dos equipamentos. – as coisas estavam começando a acontecer muito rapidamente, o problema da falta de contenção da perfuratriz e o lacre do poço que fizeram não aparentava ter sido muito eficaz, por isso aquele grupo tinha ficado para trás, mas isso não justificava a ausência de notícias.

- Sven. Cuide para que nada daqui saia do lugar. Não devo demorar e espero encontrar tudo como deixei. – olhou para Nádia que ficou preocupada em vê-lo tão apreensivo. Afastou-se antes que ela pudesse falar qualquer coisa.

- Será que aconteceu alguma coisa Sven? – ela tinha um bom relacionamento com ele, não fazia seu tipo de homem, mas eram bons colegas de trabalho e até poderia dizer que eram amigos. Além disso era uma forma de se aproximar de Nick Frost, já que seus atributos corporais pareciam não ser suficientes.

- As coisas têm estado muito estranhas Nádia, ao que parece uma maré de azar ronda este acampamento desde que conseguimos perfurar o poço até ao lago adormecido. – Era assim que o chamava “Lago Adormecido”. Pegou a gaiola que ainda estava sobre a mesa com as outras duas cobaias e entregou-a para o auxiliar de Pavlov que as tinha trazido. – Leve-a de volta para a Arca, estes dois aqui ficam por enquanto. – com isso encerrou também sua participação na experiência, até porque Nick estaria fora por algumas horas. Queria aproveitar o tempo para tomar um banho quente e quem sabe dormir um pouco.

- O que acontece agora? – ela perguntou para o paleontólogo russo.

- Esperamos. Não temos mais nada para fazer aqui até que Frost retorne como notícias e espero que sejam boas. – deixaram o laboratório de biologia e cada um se dirigiu para o departamento ao qual pertencia.

Os dois homens que iriam a caminho do campo de perfuração não optaram pelas motocicletas de neve para a viagem que fariam, escolheram o Piston Bully um veículo com deslocamento por esteiras e onde os dois pudessem viajar juntos, não parecia, mas o deslocamento pela neve e planícies geladas era monótono e demorado. O aspecto geral era de uma extensão muito árida e desprovida de vida, podia-se caminhar por dias seguidos sem encontrar outro ser vivo por menor que fosse. Mas ao contrário do que se pensa, a vida prolífera naquele lugar abundantemente.

- Acha que aconteceu alguma coisa com eles Victor? – a pergunta tinha procedência, as geleiras eram um lugar traiçoeiro.

- A primeira regra do nosso negócio é manter o contato, se isso não aconteceu, boa coisa não é. – tinha certeza que algo muito ruim acontecera, dos dez homens que tinham ficado para trás, nenhum deles tinha retornado ou dado notícias. - Bem, o poço não cedeu. A camada de gelo é muito grossa, portanto, essa hipótese está descartada. – pensou mais um pouco para relembrar as opções. – Animais selvagens também não seria o caso, além de estarem prevenidos, são dez homens fortes, saudáveis e bem armados. – ainda tentava encontrar uma explicação plausível.

- Poderia ser alguma outra corporação ou estação de pesquisa interessados na sua descoberta? – Orloff pensou nessa possibilidade também, não seria a primeira vez em que entravam em conflito com estações de outros países ou mesmo de corporações privadas na disputa por espaços de prospecção.

- Victor, aquilo está ali há milhares de anos e é de conhecimento público, qualquer um pode vir e perfurar. O caso é que ninguém quis fazer isso antes, mas não acredito que isso possa levar alguém a cometer qualquer tipo de delito só para roubar uma amostra de “sei lá o quê” que nós retirámos lá das profundezas. – concluía sua explicação, ligou o rádio para escutar um pouco de música selecionada, era uma das poucas vezes em que se permitia esse tipo de luxo.

Ao final de quase quatro horas e meia de viagem pelas planícies geladas finalmente avistaram o acampamento de perfuração, não havia vivalma no local. Estava completamente vazio com todos os equipamentos ainda no lugar conforme haviam deixado um dia antes. Tocaram a buzina várias vezes para ver se alguém aparecia ou se haveria indícios de onde pudessem estar.

Nick Frost desceu do Piston Bully que os tinha levado até ali, no chão, muitas pegadas em várias direções como se tivessem saído apressadamente, teve um mau pressentimento ao perceber que todas convergiam para o centro do poço que haviam perfurado. Não teve pressa em caminhar até lá, ficava depois dos equipamentos que estavam espalhados ao redor na forma de círculo, a perfuratriz ainda estava em posição de perfuração com a broca apontada para o chão num ângulo adequado. Não precisou chegar mais perto para ver o que estava acontecendo.

- Victor. – apressou-se em chamar seu companheiro de viagem e responsável pela perfuração.

- O que houve Doutor Frost? – Victor Orloff chegou o mais rápido que pôde.

- Veja. – apontou para o centro, uma camada verde e espessa que ele conhecia agora com Elemento Frost estava por todos os lados como se fosse uma mancha ao redor. Ao centro ainda vertia o liquido viscoso que emergia do interior das profundezas do Lago Vostok vagarosamente, estremeceu ao imaginar que aquele lago que supostamente seria de água doce límpida e cristalina pudesse ter um volume de 5.400 km³ de lama verde e que poderia causar um desastre ambiental. Uma névoa tênue e esverdeada elevava-se daquela substância desconhecida na medida em que alguns raios de Sol a atingiam. – Encontrou alguém? – ainda tinha esperança de saber o que havia ocorrido, mas uma coisa era certa, o poço não tinha sido lacrado e no momento ele não sabia como fazer isso.

Por outro lado, evitava chegar próximo daquela substância desconhecida e viscosa e do possível vapor tóxico que exalava do centro.

- Ninguém. E a estação mais próxima, a Base Concórdia, fica a pelo menos trezentas milhas daqui, não acredito que alguém possa sobreviver a uma caminhada nessa temperatura extrema, mas seja lá o que for que os assustou, boa coisa não era. – Orloff sabia que o Lago Vostok era considerado o lugar mais frio do planeta chegando a oitenta graus Celsius negativos, ninguém sobreviveria sozinho e sem equipamentos adequados por muito tempo.

- Precisamos voltar depressa para a estação de pesquisas. – lembrou-se que a lama verde estava contida numa câmara de vidro e se aquilo fora o motivo do desparecimento de seus homens, precisava avisar os outros urgentemente. – Temos que organizar um grupamento de resgate e salvamento. Não vamos deixar ninguém para trás. – aqueles homens eram acima de tudo sua responsabilidade.

- Levaremos o mesmo tempo para retornar que demorámos para chegar aqui... – Dizia Victor vendo claramente a urgência de Nick Frost.

- Esta coisa tem um rádio, vamos tentar fazer funcionar. – preocupou-se primeiramente com a segurança de Nádia o que o surpreendeu bastante, depois Sven, por último Anton Pavlov e os demais pesquisadores da estação russa que servia de base de apoio para suas pesquisas. – Unidade móvel para base Vostok. Responda Câmbio. – fazia uma pausa e repetia a mensagem a cada minuto enquanto avançavam pela planície gelada. Após quase três horas obteve o primeiro retorno, seu coração disparou como se fosse uma flecha.

- Nick. Estão todos mortos. – era Nádia que repetia de forma descontrolada a mensagem. – Sven morreu tentando me salvar de Pavlov, que desapareceu, agora estou escondida na Arca de Noé. Ajude-me Nick, estou com medo... – Foram as últimas palavras que ouviu e logo a seguir o rádio ficou completamente mudo, apenas estática podia ser ouvida, provavelmente por causa das montanhas ao redor dos vales de gelo que atravessavam.

- Estou indo Nádia, estou indo. – fazia um esforço sobre humano para não tomar a direção de Victor Orloff e seguir a toda a velocidade para a estação de pesquisas, mas reconhecia que o prospector era melhor para se deslocar naquele ambiente inóspito do que ele jamais seria.

Demorou pouco mais de uma hora de intensa agonia até avistarem a base Vostok, o dia estava claro e límpido, não havia ventos e muito menos tempo ruim de qualquer natureza, um dia típico de verão Antártico. A base parecia abandonada, as portas completamente abertas, oque não era nada comum e nenhuma atividade humana por perto, naquele lugar trabalhavam quase cinquenta pessoas, não era possível que todas tivessem desaparecido.

- Fique atento Victor. Se alguma coisa de muito ruim estiver acontecendo, todo o cuidado é pouco. – desceram do Piston Bully e seguiram lado a lado até entrarem novamente na estação. – Vamos nos separar, assim teremos melhores chances de encontrar alguém. Não toque em nada, não corra riscos. Podemos ser os únicos aqui por um longo tempo. – Essa ideia o assombrou. Frost preparava-se para o pior cenário daquela situação. Orloff apenas assentiu com a cabeça.

Sabia onde deveria ir logo de início, Nádia tinha indicado que estaria em relativa segurança na Arca de Noé, onde guardavam os espécimes vivos e era para lá que se deslocava. Abriu todas as portas de segurança e procurou por outros indivíduos no local, encontrou quatro cientistas russos completamente inertes estirados no chão, aparentemente estavam mortos, mas não havia qualquer sinal de violência física. Entrou em outro laboratório de pesquisas avançadas e percebeu mais duas pessoas debruçadas sobre as mesas como se estivessem apenas dormindo, uma delas era a colega cientista da Islândia que dividia com ele o interesse pelo misterioso Lago Vostok e que a esta altura começava a lhe parecer a verdadeira Caixa de Pandora, em alusão ao mito grego do jarro que guardava os males do mundo.

Tomou-lhe o pulso e não obteve resultado, levou os dois dedos á jugular também sem sinal de vida. Não entendia como isso era possível, a menos que a amostra fosse de tal forma tóxica que todos morressem por contato direto ou inalação, apostava na segunda hipótese, mas no caso dele ainda não tinha sido contaminado, poderia haver boas chances de sair dali com vida.

Precisava encontrar Nádia o quanto antes, mais duas salas e estaria diante da Arca, esperava que tivesse sobrevivido, qualquer coisa seria possível se pelo menos ela estivesse ao seu lado, de outra forma, as esperanças de sobrevivência eram poucas.

Entrou no laboratório que administrava e notou o corpo de seu amigo Sven estirado no chão ao lado da câmara de contenção que permanecia intacta, não imaginava o que poderia ter dado errado, em todo o caso quis observar mais de perto. A amostra pastosa e verde tinha desaparecido por completo, como se tivesse evaporado sem deixar qualquer tipo de vestígios, aproximou-se um pouco mais e percebeu que as luvas de borracha estavam roídas nas pontas onde ficavam os dedos, tinha sido um grande erro colocar os roedores naquele confinamento, eles eram a razão da câmara ter perdido a contenção. Lembrou-se da névoa esverdeada que vira na perfuração do Lago Vostok.

Atravessou a última porta que levaria até onde Nádia estaria e não conseguiu abri-la, isso podia ser um bom sinal caso estivesse viva, mas por outro lado alguém que não ela poderia tê-la trancado por dentro, a angústia tomou conta de seu coração, não tinha ideia até àquele momento fatídico de que gostasse dela tanto assim. Bateu duas vezes e não obteve resposta, esperou um pouco e novamente bateu duas vezes. Escutou um rangido junto com o destravar da porta, tinha certeza que do outro lado era quem esperava.

- Me abrace. – ela saltou sobre ele deixando-se aninhar ainda trêmula e pálida em seus braços fortes. – Aqui não é seguro, temos que ir lá para fora. – segurou-o pela mão e puxou-o com força fazendo com que aquele gigante se desequilibrasse parcialmente. O corpo dele caiu sobre o dela pressionando-a contra a parede fria e metálica, Nádia olhou bem dentro dos olhos dele e por instantes se perdeu naquela imensidão azul. Estava mais ofegante do que o normal. Ele apenas olhava para sua boca, o frio intenso que tinha sentido até então havia passado por completo. Recompuseram-se com alguma dificuldade.

- O que aconteceu Nádia? Onde estão todos? – seguiu-a guiado pela mão pequena e fina que o puxava insistentemente.

- Todos mortos. Depois que você saiu com Victor, as cobaias ficaram estranhas, faziam uns chiados muito agudos e começaram a roer as luvas de borracha. – destravou mais uma porta para poder mudar de sala – Não conseguimos tirá-los a tempo e antes que pudéssemos perceber o ar entrou pela câmara de contenção, com isso o Elemento verde se transformou em gás da mesma cor esverdeada daquela substância e em segundos todos os que estavam próximos caíram mortos, penso que mortos. – estavam quase do lado de fora, faltava apenas mais uma sala.

- E onde entra Pavlov nessa história? – queria saber como Sven tinha morrido e aparentemente o culpado era Anton Pavlov.

- Pavlov tentou fechar a porta do laboratório para que nenhum de nós saísse e Sven interpôs-se entre ele e a saída, mas não era páreo para o russo e aproveitei para fugir. Quando olhei para trás Sven estava estirado no chão e Pavlov veio atrás de mim, escondi-me atrás da porta na Arca e quando ele passou tranquei-a até que você chegou. – Nádia ficou imóvel ao ver o homem de quem falavam diante deles empunhando uma pistola automática impedindo a passagem para o exterior.

- Fique calmo Anton... Sou eu Nick Frost... – O russo tinha uma aparência gélida e transtornada, quase cinzenta, como se sofresse de hipotermia, mas certamente não era isso. – Abaixe a arma e vamos conversar... – As chances eram poucas, mas valia a pena tentar.

- Você não entende... Não podemos sair daqui. Nenhum de nós. – a voz era chorosa, mas não haviam lágrimas, parecia mais uma súplica. – Quando a contenção se rompeu tentei lacrar o laboratório para ficarmos em segurança e não deixar que contaminasse todo o restante, mas Sven, aquele norueguês louco, não entendeu dessa forma e perdemos a oportunidade... Agora estamos todos mortos... – Apontou a arma para Nádia.

- Não faça nada que venha a se arrepender Anton... Arranjaremos um meio de conseguirmos conter a contaminação... – Por momentos pensou que se fosse um agente biológico muito nocivo poderiam estar em grave risco. Se os que haviam desaparecido e de alguma forma estivessem contaminados chegassem a alguma estação próxima poderia ser fatal, ainda que a possibilidade na hora lhe parecesse remota. Com sorte isso não aconteceria pela distância em que se encontravam.

- O poço foi lacrado Nick? – ainda tinha forças para lhe fazer uma última pergunta. Esperava uma resposta afirmativa.

- Não Anton e aquela coisa verde verteu das profundezas para a superfície de forma abundante... – Não mentiria para um homem moribundo mesmo que fosse a última coisa que fizesse.

- Estamos todos mortos, Nick... – Olhou mais uma vez para Nádia. – aquilo está se transformando em gás ao contato com a atmosfera e rumará em direção aos grandes centros... Os mortos herdarão a Terra, Nádia... – Olhou para ela mais uma vez antes de levar a pistola que tinha na mão á boca e disparar. Nenhum deles teve reação para impedi-lo. Anton Pavlov estava morto, suicidara-se bem ali diante deles.

- Por que ele fez isso? – Nádia encolheu-se no peito de Nick Frost que a abraçava enquanto escutava seu choro baixinho.

- Não sei. Mas ao que parece sabia muito mais sobre o que está acontecendo do que todos nós. – desta vez preocupou-se verdadeiramente que aquele poço pudesse verter toda aquela toxina enclausurada há milhões de anos nas profundezas da terra, para a atmosfera terrestre e criar uma nuvem tóxica que aniquilasse todos por onde passasse. Antes de sair precisaria chegar á sala de rádio. – Venha, temos que pedir socorro e avisar o continente. – consideravam-se uma ilha por estarem sempre tão isolados.

Victor Orloff jazia inerte sobre a cadeira ainda segurando o rádio na mão direita, aparentemente haviam pensado na mesma coisa, mas ainda seria ele que teria que terminar aquela transmissão. Pegou o transmissor da mão do amigo, mas não sem antes recolher suas condições vitais, assim como todos os demais, estava morto. Apertou o botão de PTT (Push To Talk) do equipamento de rádio – Base Vostok para continente. Responda Câmbio. – na terceira tentativa obteve resposta.

- Base Vostok, Continente na escuta. Informe sua situação, Câmbio. – a estática entre eles era péssima, lembrou-se que deveria haver um telefone por satélite para emergências em algum lugar.

- Nádia, tranque a porta e procure uma maleta preta com um telefone via satélite. – apontou para a porta que continuava aberta e não haveria meio de fuga caso algum outro louco adentrasse por aquela sala. – Todos mortos. Dois sobreviventes. Peço extração imediata. Câmbio. – em todo o caso aquele era o único meio de comunicação até então.

- Repita a mensagem Base Vostok... Câmbio. – Nick sentiu a pausa na mensagem recebida e não viu isso como um bom sinal.

– Todos mortos. Dois sobreviventes. Peço extração imediata. Câmbio. – aguardou mais uma vez para que confirmassem o recebimento.

- Extração a caminho. Não saiam do local, serão resgatados em doze horas... – Câmbio, desligo. – encerrava-se ali a transmissão e ao que parecia sem ter feito muitos amigos, ainda precisaria tentar o telefone, caso o encontrassem, para se comunicar com a central da NOMAD.

- Conseguiu falar com eles? – Nádia queria sair dali tanto quanto ele, não gostava da ideia de estar rodeada de cadáveres.

- Sim. Nos tirarão daqui em doze horas. – estava otimista pelo menos com essa noticia. – Encontrou o telefone que estamos procurando? – olhou em volta não esperando a resposta. Virou-se ao perceber Nádia imóvel olhando para ele atentamente.

- Nick... É uma estação de pesquisa biológica... – Ainda o fitava com desconfiança para ver se ele alcançava seus pensamentos.

- Sim. E o que tem isso? – respondeu voltando a procurar o que sabia estar em algum lugar por ali, já a tinha visto antes.

- Não vão correr riscos... – Ela sentou-se em uma cadeira vazia ao lado de Victor Orloff que assim como os outros começava a adquirir uma cor pálida acinzentada.

- O que quer dizer? – virou-se percebendo que ela desistira da situação, podia até dizer que desistira de se salvar.

- Vão bombardear tudo isto aqui e dizer que houve uma tempestade ou coisa parecida... O mundo jamais saberá a verdade dos fatos. – colocou o rosto entre as mãos e soluçou.

- Olhe Nádia, pode até ser que isso venha a acontecer, mas se não arranjarmos um meio de lacrar aquele poço que continua vertendo essa substância tóxica e pelo que já vimos acontecer em tão pouco tempo, não haverá mundo nenhum para vivermos. Exatamente como Anton nos disse. – não duvidou do que ela dissera e fazia todo o sentido, mas precisava avisar a estação de pesquisa mais próxima e pedir auxilio, era caso de vida ou morte para todo naquele continente aparentemente esquecido por Deus.


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